Prevenção ao suicídio começa com escuta, acolhimento e acesso ao cuidado. E o cuidado com a saúde mental pode ser mais amplo quando corpo, emoções e rotina são vistos como partes de uma mesma história.
Setembro é marcado pelo Setembro Amarelo, movimento de conscientização sobre a prevenção do suicídio e a importância de falar sobre saúde mental.
Mais do que uma campanha de um mês, esse período nos convida a prestar atenção em algo que muitas vezes passa despercebido: nem todo sofrimento é visível.
Uma pessoa pode continuar trabalhando, cuidando da família, cumprindo compromissos e sorrindo enquanto enfrenta ansiedade, tristeza profunda, esgotamento, solidão ou outras formas de sofrimento emocional.
Por isso, falar sobre saúde mental também é falar sobre cuidado.
Escutar também é uma forma de cuidar
Quando alguém demonstra mudanças importantes de comportamento, isolamento, desesperança ou fala sobre a própria morte, esses sinais merecem atenção.
O Ministério da Saúde destaca que não existe uma fórmula capaz de identificar, isoladamente, uma crise suicida. Porém, mudanças de comportamento e manifestações de sofrimento, especialmente quando se intensificam, podem indicar a necessidade de buscar ajuda.
Nesse momento, ouvir sem julgamentos, demonstrar presença e incentivar a busca por ajuda profissional pode fazer diferença.
E é importante lembrar: ninguém precisa enfrentar um sofrimento intenso sozinho.
Onde entram as práticas integrativas?
As Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) fazem parte de uma proposta de cuidado que considera a pessoa de maneira integral, levando em conta aspectos físicos, emocionais, mentais e sociais.
Segundo o Ministério da Saúde, essas práticas têm entre seus objetivos a promoção e recuperação da saúde, a prevenção de agravos, a escuta acolhedora e a construção de vínculos terapêuticos. Elas são utilizadas de forma complementar aos tratamentos convencionais, e não como substituição a eles.
É justamente nessa perspectiva que o cuidado integrativo pode contribuir.
Práticas como acupuntura, aromaterapia, meditação e outras abordagens integrativas, quando indicadas e realizadas por profissionais qualificados, podem fazer parte de uma estratégia mais ampla de cuidado e autocuidado.
O objetivo não é tratar uma crise emocional ou uma situação de risco por meio de uma prática isolada. É oferecer outros caminhos de cuidado que possam ajudar a pessoa a olhar para si, perceber suas necessidades e construir uma rotina de maior atenção ao próprio bem-estar.
Corpo e mente não estão separados
Durante muito tempo, saúde foi tratada como algo dividido: de um lado o corpo; de outro, as emoções.
Mas quem já passou por um período de estresse intenso sabe que essa separação nem sempre existe na prática.
O sofrimento emocional pode repercutir no sono, na disposição, na alimentação, na concentração e em diversas manifestações físicas. Da mesma forma, dores, alterações na rotina, cansaço e outros desconfortos podem afetar a maneira como uma pessoa se sente emocionalmente.
Por isso, olhar para o indivíduo de maneira integral é uma das bases das práticas integrativas.
Na IMCA, essa visão está presente na proposta de cuidado: olhar para a pessoa além do sintoma, considerando diferentes dimensões da saúde e as particularidades de cada indivíduo.
Cuidar antes que o sofrimento se torne insuportável
Buscar ajuda não precisa acontecer somente quando tudo parece ter chegado ao limite.
Cuidar da saúde mental também envolve reconhecer sinais de cansaço, estresse, ansiedade e sofrimento e procurar apoio antes que eles se agravem.
Isso pode significar conversar com alguém de confiança, procurar um profissional de saúde, iniciar um acompanhamento psicológico ou médico e, de forma complementar, conhecer possibilidades de cuidado integrativo.
Não existe uma única forma de cuidar.
Existe a necessidade de encontrar, com orientação adequada, o cuidado que faça sentido para cada pessoa.
Setembro Amarelo é um convite para estar presente
Às vezes, uma pergunta simples pode abrir espaço para uma conversa importante:
“Como você realmente está?”
E, mais importante do que perguntar, é estar disposto a ouvir a resposta.
Se você percebe que alguém próximo está sofrendo, não tente resolver tudo sozinho. Incentive essa pessoa a buscar ajuda profissional e permaneça por perto.
Se você está passando por um momento difícil, pedir ajuda não é sinal de fraqueza. É uma atitude de cuidado.
As práticas integrativas podem fazer parte desse caminho, mas situações de sofrimento intenso ou risco de suicídio precisam de avaliação e acompanhamento por profissionais e serviços especializados.
Precisa de ajuda agora?
Em uma situação de emergência ou risco imediato, procure um serviço de urgência ou emergência, como UPA, pronto-socorro ou SAMU (192).
O Centro de Valorização da Vida (CVV) também oferece apoio emocional gratuito e sigiloso pelo telefone 188, 24 horas por dia, além de atendimento por outros canais.
Cuidar é perceber.
Cuidar é escutar.
Cuidar é procurar ajuda.
E, muitas vezes, cuidar começa simplesmente por não passar pelo sofrimento sozinho.
Na IMCA, acreditamos em um cuidado que considera a pessoa por inteiro. As práticas integrativas são complementares e não substituem acompanhamento médico, psicológico, psiquiátrico ou atendimento de emergência quando necessário.